Sob pressão de Trump, prazo para acordo no Estreito de Ormuz se esgota nesta terça.

Pro Regina Papini Steiner – A Chama

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta terça-feira (4) o tom do ultimato dado ao Irã: o país teria até hoje para fechar um acordo com Omã sobre a liberação do Estreito de Ormuz, sob risco de sofrer o que a Casa Branca descreveu como ataques aéreos devastadores. “Vocês descobrirão hoje ou amanhã”, disse Trump a jornalistas na véspera, classificando o prazo como a “última chance” para Teerã evitar uma escalada militar. Apesar da linguagem dura, o republicano voltou a negar que o regime iraniano controle a navegação pelo estreito e reafirmou que não permitirá a cobrança de “pedágio” para embarcações na região.

Sob pressão de Trump, prazo para acordo no Estreito de Ormuz se esgota nesta terça.
Sob pressão de Trump, prazo para acordo no Estreito de Ormuz se esgota nesta terça

O ultimato de hoje é mais um capítulo de uma escalada que se arrasta desde o início do ano. Nos últimos meses, Trump já impôs e adiou sucessivos prazos ao Irã passando por ultimatos de 48 horas, extensões de dez dias e treguas de duas semanas sempre condicionando a suspensão de ataques à reabertura “imediata, completa e segura” do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Do lado iraniano, autoridades já negaram por diversas vezes que exista qualquer acordo em andamento com Washington, mantendo o impasse em aberto mesmo diante da pressão americana.

Mercados reagem com cautela otimista

Enquanto o desfecho político permanece incerto, os mercados financeiros globais já precificam um cenário de menor risco. Nesta terça-feira, as bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta, impulsionadas por sinais de possível retomada do diálogo entre Washington e Teerã. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,77%, enquanto o francês CAC 40 subiu 0,61%. Segundo agências internacionais, o Catar chegou a relatar progressos em direção a conversações entre iranianos e americanos informação que ajudou a sustentar o otimismo ao longo do pregão.

Wall Street seguiu na mesma direção, com forte alta em meio à sessão, embalada tanto pelas expectativas de trégua no Oriente Médio quanto por uma temporada de balanços corporativos acima do esperado. O movimento chega um dia depois de o Dow Jones ter fechado em novo recorde histórico, reforçando o apetite dos investidores por risco.

O petróleo, termômetro mais sensível da crise, tem oscilado com força nos últimos dias: chegou a recuar cerca de 5% em uma única semana após Trump sinalizar a suspensão temporária de ataques, mas voltou a subir nesta terça o Brent avançou para perto de US$ 85 o barril em meio às dúvidas sobre a real disposição do Irã de negociar.

O que está em jogo

Para os mercados, o Estreito de Ormuz funciona como um gatilho direto de volatilidade: qualquer sinal de bloqueio efetivo da via ou, no sentido oposto, de acordo formal tende a mover preços de energia, ações de petroleiras e índices acionários em questão de horas. Enquanto Trump mantém a pressão máxima sobre Teerã, o mercado aposta, por ora, no cenário mais favorável: o de que a “última chance” anunciada pelo presidente americano termine, mais uma vez, em diplomacia e não em confronto aberto.

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