A mobilização estudantil no presente
Em outubro de 2026, estudantes participaram de manifestações relacionadas à disputa eleitoral brasileira. No dia 7 de outubro, um ato convocado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) reuniu estudantes e trabalhadores no centro do Rio de Janeiro, em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Entre as reivindicações apresentadas estavam a defesa da educação pública, o fim da escala de trabalho 6×1 e a manutenção da democracia. Nos dias seguintes, manifestações semelhantes ocorreram em outras regiões do país.
A presença de estudantes nas disputas políticas, porém, não é um fenômeno novo. Ao longo da história brasileira, organizações estudantis participaram de manifestações e movimentos sociais, inclusive durante a ditadura militar iniciada em 1964.
Diante das mobilizações de 2026, surge uma questão: em que medida as manifestações atuais se aproximam das experiências históricas do movimento estudantil e quais diferenças existem entre as lutas de cada geração?

“Estudantes secundaristas e universitários participam de ato em defesa da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, no centro do Rio de Janeiro, em 7 de outubro de 2026.”
Reprodução: © Fernando Frazão/Agência Brasil
A atuação estudantil durante a ditadura
Antes e durante a ditadura militar, a União Nacional dos Estudantes foi uma das organizações que participaram das disputas políticas do país. No início da década de 1960, a entidade apoiou pautas de transformação social, como as reformas de base defendidas durante o governo de João Goulart.
Com o golpe de 1964, o movimento estudantil passou a enfrentar a repressão do regime. A sede da UNE, localizada na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, foi atacada e incendiada. Em novembro de 1964, a Lei Suplicy de Lacerda restringiu a atuação política das entidades estudantis e estabeleceu estruturas oficiais de representação. Na prática, a medida colocou a UNE na clandestinidade.
Apesar da repressão, estudantes continuaram a participar de manifestações contra o regime. Em 1968, a Passeata dos Cem Mil, realizada no Rio de Janeiro em 26 de junho, reuniu estudantes, artistas, intelectuais e outros setores da sociedade em um protesto contra a ditadura.
Em março de 1968, o assassinato do estudante secundarista Edson Luís, morto pela polícia durante um protesto no restaurante estudantil Calabouço, no Rio de Janeiro, provocou indignação e ampliou a mobilização contra a repressão. Em outubro do mesmo ano, a invasão do congresso da UNE em Ibiúna, em São Paulo, resultou na prisão de centenas de estudantes.
Esses episódios mostram que a participação estudantil daquele período ocorreu em condições de perseguição política e restrição das liberdades. A experiência histórica ajuda a compreender a relação entre organização estudantil e defesa de direitos, mas também evidencia a importância de considerar as circunstâncias específicas de cada época.

“A Passeata dos Cem Mil reuniu estudantes e diferentes setores da sociedade no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968, em protesto contra a ditadura militar.”
Foto: Evandro Teixeira no Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1968
As mobilizações de 2026 e suas reivindicações
Nas manifestações de outubro de 2026, a disputa eleitoral apareceu associada a outras reivindicações sociais. Além do apoio à candidatura de Lula, os atos defenderam a educação pública, a manutenção da democracia e o fim da escala de trabalho 6×1.
A convocação das manifestações pela UNE e a participação de estudantes em diferentes localidades demonstram uma articulação que ultrapassa uma única instituição de ensino. Os registros jornalísticos sobre os atos realizados em diferentes estados também indicam a presença de estudantes secundaristas, universitários e trabalhadores nas mobilizações.
A pauta eleitoral, nesse contexto, aparece relacionada a discussões sobre direitos sociais e políticas públicas. Entretanto, é importante distinguir as posições defendidas pelas organizações que convocaram os atos das motivações individuais de cada participante. O apoio declarado por uma entidade não significa, necessariamente, que todos os estudantes compartilhem das mesmas opiniões ou prioridades.
As manifestações de 2026 permitem, assim, observar como parte do movimento estudantil se organiza diante de uma disputa eleitoral e relaciona suas reivindicações educacionais e sociais ao cenário político nacional.

“Manifestantes fazem ato no Centro do Rio em apoio a Lula no 2º turno”
foto: Marina Calderon / Agência O Globo
Entre as continuidades históricas e as mudanças
A comparação entre a mobilização estudantil durante a ditadura e os atos de 2026 permite identificar algumas continuidades, como a organização coletiva e a articulação entre reivindicações estudantis e questões mais amplas da sociedade.
Nos dois contextos, a atuação estudantil ultrapassa os limites das instituições de ensino e se relaciona com disputas políticas que afetam a vida coletiva. A defesa de direitos e a participação em manifestações públicas aparecem como elementos importantes para compreender a presença dos estudantes na história política brasileira.
Entretanto, essas semelhanças não significam que os dois períodos sejam equivalentes. Durante a ditadura, a atuação estudantil foi marcada pela repressão de um regime autoritário, pela ilegalidade imposta à UNE e pela perseguição a manifestantes. Em 2026, as mobilizações acontecem em um contexto político diferente, marcado por uma disputa eleitoral e por outras formas de organização e participação.
As formas de convocação e organização também podem ajudar a compreender as diferenças entre os períodos. Para analisar essas mudanças, é necessário considerar os meios de comunicação disponíveis em cada época e as condições políticas em que os estudantes atuavam.
A comparação histórica, portanto, não deve buscar uma repetição exata dos acontecimentos. Seu objetivo é compreender como diferentes gerações de estudantes respondem aos conflitos de seu tempo, considerando tanto as experiências que permanecem relevantes quanto as transformações políticas e sociais.
O futuro imita o passado?
A trajetória do movimento estudantil brasileiro mostra que a participação coletiva da juventude ocupa um lugar importante nas disputas políticas e sociais do país. Das mobilizações contra a ditadura às manifestações de 2026, a organização estudantil continua sendo uma forma de participação na vida pública.
Existem pontos de aproximação entre esses períodos, especialmente na articulação entre reivindicações estudantis e questões mais amplas da sociedade. Ao mesmo tempo, as diferenças entre os contextos históricos demonstram que cada geração atua diante de condições políticas, sociais e institucionais próprias.
O futuro, portanto, não precisa imitar o passado. Conhecer a história do movimento estudantil permite compreender as origens de determinadas formas de organização, reconhecer as mudanças nas reivindicações e analisar criticamente as disputas do presente. Mais do que repetir experiências anteriores, cabe investigar como a juventude transforma essas experiências e constrói suas próprias formas de participação política.

Excelente matéria, muito coerente e clara, ajuventude é o futuro do nossa país.
Material muito bem expressada, muito bem escrita,está de parabéns pela matéria.semsasional cuteudo.parabens.
Gostei muito da matéria, muito bem escrita,e um conteúdo muito bem explicado,e obgetivo, parabéns
Parabéns pela matéria, muito bem escrita.conteudo muito bem explicado
parabéns que ela possa incentiva mais os jovens da sua imprcia na política e no futuro do pais
é um texto analítico excelente para quem deseja entender a política brasileira de forma estrutural, fugindo de debates superficiais e valorizando a memória histórica do país, Parabéns pra escritora
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