Na falta do Estado, o crime governa: A Morte de Geovane Yanomami

No dia 17 de julho de 2026, Geovane Yanomami, Agente Indígena de Saúde (AIS), foi assassinado enquanto trabalhava na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Geovane havia se afastado por alguns instantes da unidade de saúde em que atuava, localizada na região do Xitei e acabou se tornando vítima de uma troca de tiros. Em nota, […]

Morte de Agente Indígena de Saúde expõe a desestruturação social gerada pelo garimpo ilegal. Lideranças da Hutukara Associação Yanomami denunciam que invasores distribuem armas e munições como moeda de troca.

No dia 17 de julho de 2026, Geovane Yanomami, Agente Indígena de Saúde (AIS), foi assassinado enquanto trabalhava na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Geovane havia se afastado por alguns instantes da unidade de saúde em que atuava, localizada na região do Xitei e acabou se tornando vítima de uma troca de tiros.

Em nota, a Hutukara Associação Yanomami atribuiu o fato ao garimpo ilegal, que funciona como porta de entrada para a violência e a precariedade nas terras indígenas. As facções criminosas e milícias ligadas ao garimpo e ao narcotráfico atuam fortemente na região de fronteira com a Venezuela, um ponto estratégico para esses criminosos que trazem tempos de terror, contribuindo com a chegada desses armamentos às comunidades e outros insumos como os entorpecentes.

Em uma entrevista para a TV Globo, a presidente do Siemesp-RR (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Serviços de Saúde do Estado de Roraima), Joana Gouveia, relatou que os profissionais de saúde que atuam nas terras indígenas sofrem opressões diárias, sob ameaças e agressões, tendo os polos de saúde invadidos e em constante pressão psicológica. Conforme aponta o Tribunal de Contas da União (TCU) em seu relatório, a crise nas terras Yanomami deixou de ser apenas humanitária e passou a apresentar sinais de violência armada.

A terra Yanomami vem sendo manchada por sangue inocente desde a década de 1980, época do início da famosa “Corrida do Ouro”, uma invasão catastrófica de cerca de 40 mil garimpeiros ilegais, marcada por colapso sanitário, violência extrema e o genocídio de Haximu. A integridade social e cultural das comunidades enfrenta, ao longo de mais de 40 anos, o rastro devastador do garimpo ilegal, que introduz a fome, a violência e armas de fogo.

Geovane é apenas mais um trabalhador vítima da violência, um crime que se torna invisível aos olhos da sociedade. Essa violência é incitada por aqueles que possuem maior poder aquisitivo. Eles são os verdadeiros culpados, os que financiam todo esse esquema e carregam o sangue inocente em suas mãos, mas permanecem sempre impunes.

Fonte:

Entrevista do Siemesp-RR para o Jornal Hoje – Tv Globo

g1 Roraima (globo.com)

Instituto Humanitas Unisinos – IHU

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